História de uma medalha…
Fazendo agora 1 ano que o Ricardo fazia o mesmo que hoje… preparava-se afincadamente para o único objectivo do ano, recordamos hoje o maior feito do BTT nacional e um ds maiores feitos de sempre de todo o ciclismo Nacional.
Se desde sempre houve uma certeza nesta equipa, esta foi que, no Campeonato do Mundo do último ano de Júnior haveríamos de trazer para casa uma medalha. Esta medalha foi o coroar do trabalho de 6 anos. Trabalho proporcionado à idade, tanto físico como em termos de exigência mental, mas foi o trabalho perfeccionista e de total empenho, apesar da idade, que levaram a que este feito fosse possível, pois apesar de ainda no início deste ciclo, em Juvenis o Ricardo ser um garoto como os outros, tinha já bem a noção efectiva que as medalhas não são para os “garotos como os outros”, as medalhas só são entregues a rapazes que se dedicam a sério e fazem desse objectivo o foco da juventude, colocando a maior percentagem das suas escolhas no que tem que se dedicar para atingir o pretendido, que no caso era o sonho de um dia num mundial, lhe ser entregue uma medalha representativa do seu trabalho ao longo do tempo, uma medalha que lhe diria: “valeu a pena…”.
Focado neste objectivo desde muito novo, o Ricardo sabia que para ser um dos melhores do Mundo teria primeiro que ser o melhor do seu “bairro”, da sua província, do seu país e depois da sua península, tudo isto teria ele que provar a si próprio e ir subindo e passando níveis até atingir o topo, o “fim do jogo” por chegada ao último nível como numa Playstation sem códigos se faz . Os 2 primeiros anos deste ciclo foram feitos ao redor de Lisboa com 2 títulos de Campeão regional nas mais duras e bonitas batalhas onde primeiramente apurou a técnica de condução. Seguiu-se a entrada na Categoria de Cadetes e com ela o início das corridas nacionais onde logo no primeiro ano se impôs de maneira fortíssima, vencendo 2 provas nacionais, sendo Vice-Campeão da Taça de Portugal e tendo dado soberba demonstração de altíssimo valor no Campeonato Nacional. No 2º ano de Cadete a primeira parte do objectivo de ser o melhor do país era atingido sem margem para qualquer dúvida: vence todas as provas nacionais menos uma e é Campeão de “tudo” em Portugal. Neste 2º ano de Cadete, atinge também e mais cedo do que o esperado, o objectivo ibérico, vencendo o Open de Espanha de Ager, tendo aí sido o primeiro português de sempre a vencer uma Taça de Espanha, acabando o ano como o melhor cadete ibérico. Seguia-se o 1º ano de Júnior, um ano que pretendíamos e tínhamos a noção que seria de aprendizagem, muito esforço e aprendizagem em particular porque se na Ibéria já prevíamos que seria difícil alguém bater o Ricardo, era neste ano que ele começaria a bater-se com os melhores do resto do Mundo. Melhor resultado do ano foi o 12º lugar na maior e melhor taça nacional da Europa a SwissPowerCup, frente aos cerca de 100 melhores atletas de quase todo o Mundo. Se em Portugal e Espanha este seria uma ano de absoluto domínio com múltiplas vitórias, o coroar deste ano seria o título Nacional de Juniores. Em termos de aprendizagem que seria o que este ano valia para nós, o 31º lugar no Europeu e o 26º e melhor ibérico no Mundial onde apenas deixava 10 atletas que tal como ele eram juniores de 1º ano, estes resultados altamente motivantes e únicos no Btt nacional de sempre em Mundiais, e a aprendizagem deste primeiro ano, permitiam partir então para o nível mais alto da primeira fase de formação de um atleta de ciclismo, o último ano de júnior. E então partimos com algumas certezas do que em 5 anos, especialmente os das corridas nacionais e internacionais tinhamos aprendido, que só haveria 1 forma de conseguir a medalha, a de forçar pouco durante o ano, sem importar aos resultados e às rápidas línguas que prevíamos que iriam dar o “super-crack” do BTT como “acabado”, “puxado demais” e etc, e partimos para um ano em que o objectivo era apenas um tal como o Ricardo disse em voz e video à BTT-TVmagazine com um brilho nos olhos: “…Mundial… só conta o Mundial…”. E assim foi… com algumas vitórias ainda em Espanha, mas bastante poupado em termos de esforço no início da época, devido também à subida de nível de alguns adversários em Portugal, a época para nós ia correndo como previsto – poucos bons resultados e muita má língua de um povo que definitivamente não entendia o que era “programação de época com objectivos específicos”. No meio do ano, perto dos nacionais que de todo não eram objectivo, o Ricardo tem a maior lesão da carreira e com ela, apesar de a sua atitude de Campeão lhe ter permitido recuperar depressa… bem mais depressa que os médicos lhe haviam dito… a pressão aumentou por parte de quem decidia e nada percebia também de programação de época de atitude séria e profissional no desporto e que se juntava a recém criada associação de pessoas que se sentiam assustadas pelo que o miúdo treinado pelo pai podia fazer que estes Srs,, pessoas formadas, algumas em desporto, outras pelos muitos anos de BTT que tinham, o que levou a que a lesão do Ricardo fosse o móbil para um afastamento de uma Selecção que por falta de conhecimentos de planificação de treinos e época, achava também que o Ricardo estava “acabado”. Foi giro a partir daqui… o Ricardo puxou dos galões e venceu o Campeonato Nacional com 5 minutos de vantagem e nas barbas de quem desacreditara nele, e mais, aproveitou a embalagem e deu depois um recado a todos, metendo numa Taça de Portugal mesmo como júnior, todo o pelotão Nacional de todas as categorias no bolso. Seguiu-se o normal nestas situações… o Ricardo voltava a ser o “maior” e foi convocado para um “mundial” onde as pessoas, especialmente a Direcção da Federação, começava agora a acreditar na tal programação de época, e começava agora a achar que o miúdo e o pai… poderiam mesmo ter razão e fazer algo doido no Mundial. O resto… é por demais conhecido! Ficou-nos e ficar-nos-á sempre a ideia que, se tivéssemos conseguido fazer a programação como queríamos, sem ter que gastar energias a voltar a provar o que já estava provado há anos, que o Ricardo era o melhor corredor nacional de XCO, essas energias seguramente teriam dado para pelo menos chegar à meta em condições de discutir ao sprint a medalha de Ouro com o Gerard Kershbaumer, mas mesmo assim ficamos felizes… muito felizes… afinal o que o puto sonhara 6 anos antes era possível… como muitos amigos sempre nos disseram: o sonho comanda a vida… ao que nós acrescentamos “trabalho… muito trabalho e dedicação”.
Curiosidades desta medalha: À altura esta foi apenas a 2ª medalha de todas as vertentes do ciclismo em Campeonatos do Mundo em mais de 100 anos de história do Ciclismo Nacional. Ainda hoje é uma das únicas 3 medalhas portuguesas em Campeonatos do Mundo em todas as vertentes. Como é óbvio, esta foi a 1ª e única medalha de sempre do BTT nacional, sendo também a única medalha de BTT dos países Lusófonos em mais de 20 anos de Btt, uma comunidade de centenas de milhões de pessoas, a 5º língua mundial mais falada…
Esta medalha foi o coroar de um trabalho pensado para dar frutos neste último ano de júnior. Seguiu-se uma nova fase, uma fase que tem 4 anos e que é o culminar da carreira de formação do Ricardo, sendo que tal como na anterior fase, também temos um programa, primeiro de aprendizagem e maturação e depois de afirmação, e para esta nova fase uma coisa apenas temos certeza… e temo-la porque já sabemos a receita, já sabemos e temos confiança no valor, capacidade de trabalho e dedicação desta equipa e esta certeza é apenas uma: – A esta medalha juntar-se-á outra até ao final do ciclo de Sub-23, apenas nos resta saber se conseguiremos subir a parada juntar-lhe a respectiva camisola… estamos confiantes e motivados… extremamente motivados… e desta vez temos 4 anos, e uma junta federativa finalmente entendedora da mensagem do bom e correcto trabalho, mensagem essa que também vem bem escrita nesta bonita Medalha…
Nota importante que eu evitei expôr no primeiro post, por questão de positivismo e “onda positiva” nesta fase que se atravessa: Efectivamente esta medalha é fruto da mais forte onda popular de sempre no btt, a onda que se criou no FORUMBTT onde centenas, ou mesmo milhares de users, que seguiam há anos a carreira do Ricardo num tópico com o nome dele nesse grande forum que atingíu visualizações e mensagens em número absolutamente incrível isto num país do BTT de lazer que sempre vira a competição e os atletas de competição com maus olhos e nunca tinha tido grande paixão pela competição em sí. Pessoas do pedal, que com curiosidade uns, com gosto outros e muitos com muito carinho mesmo por este atleta, seguiam os feitos do puto que vencia lá fora. Esta espectacular gente, ao saber que a Federação não ia ao Mundial de Camberra e após nós termos desistido de lutar para que isso fosse possível e resignados pois já nada havia a fazer, toda esta gente de bem, formou uma associação incrível e enviou centenas de mails à Federação a pedir que levassem a Camberra a rapaziada, que levassem o Ricardo a Camberra pois toda esta gente… acreditava… e efectivamente foram estes mails positivos, que encheram e bloquearam as caixas de correio da Federação, que colocaram o Ricardo na Austrália, e nunca esqueceremos isso, tendo bem presente que esta medalha é de todos quantos nesses dias pedalaram pelo Ricardo, e sabemos que cada uma pessoa que enviou um mail, sente esta medalha com sua também… nunca esqueceremos que esta medalha é também pertença do maior forum de btt do país, um dos maiores do Mundo, o ForumBtt. Esta medalha é de todos os milhares de users deste forum que na madrugada de 3 de Setembro de 2009 “pedalaram”, puxaram e sofreram pelo Ricardo em frente ao quadro de resultados volta a volta do site da federação internacional, e vibravam e tremeram com as consecutivas passagens do Ricardo em 1º lugar e tal como eu… festejaram felizes a obtenção da medalha no final. Pessoas boas, gente de bem às quais hoje deixamos aqui o nosso verdadeiro… obrigado por tudo…

Agosto 7th, 2010 at 15:17
Espero muito sinceramente que num futuro próximo o Paulo escreva neste site outra história como esta,se fôr sobre uma camisola melhor ainda.Ainda hoje me lembro a alegria que senti quando o Ricardo ganhou a prata em Camberra,parecia que tinha sido eu a ganhá-la,foi muito bonito o movimento que se criou para que a FPC levasse estes jovens até á Austrália,foi um enviar de mails para tudo e todos os que podiam fazer algo por estes miudos e graças a Deus conseguimos e o resultado foi o que se viu!!!
Abraço deste amigo,
Fernando.
Agosto 8th, 2010 at 0:03
Olá Fernando A.
Post actualizado… seria efectivamente errado e injustificável esquecer a parte mais importante do “caminho para a medalha”… o ForumBtt, e tudo quanto os seus users fizeram pelo Ricardo que nos deixou eternamente gratos.
Abraço e excelentes pedaladas,
paulo marinheiro
Agosto 9th, 2010 at 0:14
Olha, a medalha do nosso orgulho, mas construída com sangue, suor e lágrimas do Ricardo.
O caminho faz-se………..caminhando, o futuro dirá certamente que o caminho tem de ser assim. Nós estamos cá, uns mais presentes outros mais ausentes, mas sempre disponiveis na Hora H, aquela em que é necessária o empurrãozinho para a glória.
Aquele abraço
Helder Pereira
Agosto 11th, 2010 at 21:55
LOnga noite essa,mas uma das mais felizes, com o puto a dar-nos esse presente que tanto orgulha a malta.
Aquele Abraço e boas “Sintradas”